Redmi 8 – Um dia com um smartphone de gama baixa, como foi?

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Apesar de cada vez mais capazes, os smartphones de gama de entrada estão longe de proporcionar o mesmo tipo de experiência que um de gama superior consegue oferecer. Neste artigo, relato a minha experiência de apenas 24 horas com um smartphone que custa na casa dos 100€, o Redmi 8. 

Antes de mais, não se trata de uma review ao telemóvel referido, que figura apenas como um representante dos smartphones mais acessíveis e nos dá uma ideia do tipo de experiência que estes podem proporcionar.

Para contextualizar, tenho vindo a utilizar smartphones de gama média e alguns de gama alta nos últimos anos. Na verdade, o meu daily driver é e tem sido o Xiaomi Mi A3, um dispositivo que me custou mais 30€ que o Redmi 8. Assim sendo, a diferença de qualidade não pode ser assim tão grande, certo? Hmm… vamos por partes.

Onde foi o meu ecrã AMOLED ??

Assim que liguei o telemóvel para o configurar para a minha utilização, fiquei logo chocado com a qualidade do ecrã. Não pela sua resolução HD+, mas sim pela qualidade propriamente dita do painel, que parecia estar a anos-luz daquele que eu tinha no Mi A3. 

O ecrã constitui parte fundamental de toda a experiência de interação com um dispositivo, seja ele qual for. Não importa o quão bem construído ou rápido possa ser, se a qualidade do que é exibido não agradar, a impressão dificilmente será positiva.

Acredito que se viesse de um smartphone com ecrã LCD, o impacto não seria tão notório, até porque o ecrã do Redmi 8 não é especialmente mau por comparação a outros do seu segmento, apesar de estar longe de ser dos melhores LCD em reprodução de cores e brilho.

Coloco o polegar sob a zona inferior do ecrã e nada acontece…

Pois, esqueci-me que a tecnologia de reconhecimento de impressões digitais debaixo do ecrã ainda não chegou a esta gama…

O Redmi 8 equipa um sensor de digitais, porém localizado na parte traseira do dispositivo. Durante vários anos utilizei smartphones com sensor na traseira e não nego que tenham as suas vantagens, nomeadamente a velocidade e a praticidade em desbloquear o dispositivo quando o tiramos do bolso, pois normalmente o indicador toca o sensor de forma natural. Contudo, tornam-se inconvenientes quando o dispositivo se encontra em cima de uma mesa, obrigando a levantá-lo a cada desbloqueio. Por esse motivo, atualmente dou preferência aos leitores de digitais que se encontram na parte frontal dos smartphones. Acresce ainda que, quando embutidos no ecrã, conferem um ar moderno e especial ao equipamento, visto tratar-se de uma funcionalidade que ainda não está presente na maioria dos dispositivos.

Desempenho suficiente para apps do quotidiano mas nada de abusos

A verdade é que os dispositivos de entrada atuais são aptos a lidar com grande parte das aplicações, pelo menos os mais “nobres”. Chamar “nobre” a um dispositivo de gama baixa pode parecer contraditório, mas usei esse termo para diferenciar o Redmi 8 e outros que possuem especificações comedidas mas aceitáveis daqueles que se encontram há anos no mercado ou que, sendo relativamente atuais, apresentam um conjunto de specs completamente defasado. 

O Snapdragon 439 presente no Redmi 8 não é um exemplo em potência e rendimento mas, aliado aos 3GB de RAM da versão que testei, revelou-se suficiente para suprir as minhas necessidades mais importantes. É certo que não alcança tal feito com a mesma velocidade do meu Mi A3, mas não se porta nada mal para a sua gama. 

Quanto a tarefas mais exigentes, o smartphone simplesmente retirou-me toda e qualquer vontade de as executar. Desde gráficos repugnantes a taxas de FPS baixíssimas, a experiência em jogos pesados não é de todo agradável.

Algumas considerações

Reservo esta secção para abordar pequenas características do Redmi 8, que não justificam a criação de secções separadas. Refiro-me, primeiramente, ao tamanho e peso do smartphone, consideravelmente mais avultados do que no meu equipamento atual. Trata-se de uma questão de preferência e pessoalmente valorizo smartphones mais compactos. Depois, a câmara fotográfica não foi determinante nesta curta utilização. Ainda assim, posso afirmar que se encontra acima do padrão esperado para gamas de entrada. Já se a compararmos com o Xiaomi Mi A3, perde quer em qualidade quer em versatilidade.

Do lado positivo, o Redmi 8 traz um conector USB Type C tal como no Mi A3, apresenta um ecrã com proporções atuais e bom aproveitamento da parte frontal, além de integrar uma generosa bateria de 5000mAh.

Conclusão

Após esta experiência, concluo que, salvo raras exceções, adquirir um smartphone de gama de entrada não é compensatório. Mesmo sendo mais acessíveis que os equipamentos de média gama, impõem limitações que são bem superiores à diferença de preço que os distingue. Devido à opção por comprar em diferentes lojas, nacionais ou internacionais, campanhas de operadores, etc, torna-se difícil falar em valores concretos, mas neste caso pagar um pouco mais para levar para casa um Xiaomi Mi A3 em vez de um Redmi 8 é um “investimento” que vale cada cêntimo. Francamente, o desempenho extra ou a superior qualidade fotográfica são suficientes, por si só, para justificar o “upgrade”.

Por fim, escusado será dizer que um telemóvel de gama superior conseguirá satisfazer as necessidades do utilizador durante um maior período de tempo, seja pelas especificações inerentemente superiores ou pela maior probabilidade de receberem atualizações de software. Assim sendo, adquirir um dispositivo de gama média em detrimento de um entrada de gama pode ainda significar economizar a longo prazo.

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