Reino Unido pressiona Apple para revelar dados de utilizadores iCloud

Reino Unido pressiona Apple para revelar dados de utilizadores iCloud

1 min de leitura

Nos últimos dias, tornou-se público que o governo do Reino Unido terá pressionado a Apple a conceder acesso a dados de utilizadores do iCloud, incluindo dados que não estão protegidos por encriptação avançada. A situação veio à luz através de documentos judiciais recentemente divulgados que mostram que a solicitação original das autoridades britânicas era mais abrangente do que se pensava inicialmente.

Segundo relatou o Financial Times, embora os Estados Unidos afirmem ter convencido o governo britânico a recuar na exigência de uma “porta traseira” (backdoor) para aceder aos dados encriptados, os documentos legais indicam que as autoridades do Reino Unido pretendiam ter acesso até mesmo a dados básicos do iCloud. Este pedido foi formalizado num processo judicial supervisionado por um organismo independente responsável por queixas relacionadas com a segurança nacional do Reino Unido.

Apple chegou a "ameaçar" encerrar o iCloud no Reino Unido

A pressão do governo britânico levou a Apple a considerar o encerramento dos serviços do iCloud na região, o que afetaria funcionalidades essenciais como FaceTime e iMessage. Além disso, a empresa já tinha removido, em fevereiro, a camada extra opcional de encriptação do iCloud, conhecida como Advanced Data Protection, para utilizadores britânicos.

O documento judicial indica que o pedido do governo não se limitava a esta camada avançada, mas abrangia o serviço padrão do iCloud. O texto menciona “obrigações para fornecer e manter uma capacidade de divulgar categorias de dados armazenados num serviço de backup baseado na nuvem”, levantando especulações de que as autoridades poderiam estar a tentar aceder a mensagens ou palavras-passe guardadas na nuvem.

Este episódio evidencia a tensão crescente entre direitos digitais, privacidade e segurança nacional, colocando novamente em debate até que ponto os governos do mundo podem exigir acesso a dados pessoais de utilizadores, mesmo quando estes recorrem a serviços encriptados.