OnePlus sem Carl Pei: o fim de uma era? [Opinião]

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Carl Pei, co-fundador da OnePlus, anunciou na passada sexta-feira o seu afastamento da empresa. Pei recorreu a uma publicação no blog da comunidade OnePlus para fazer chegar aos fãs a mensagem que vinha sendo partilhada por várias plataformas durante a semana passada.

O afastamento da empresa é justificado com a intenção de fazer uma pausa dedicada à família e, posteriormente, enveredar num novo projeto, se assim se afigurar o futuro.

Tendo fundado a OnePlus em 2013 em conjunto com Pete Lau, Carl Pei deixou desde cedo a sua marca na empresa chinesa, apesar de ter, à data da fundação, apenas 24 anos. A estratégia de fazer chegar ao mercado smartphones capazes de concorrer com os dispositivos topo de gama, mas por um preço bem mais acessível, cativou desde sempre uma base de seguidores que ainda hoje se mantém fiel à oferta da OnePlus.

No entanto, desde 2013, a OnePlus mudou. Hoje em dia, trata-se de uma grande fabricante no mercado, que apesar de não apresentar o volume de vendas de gigantes como a Samsung ou a Apple, oferece um produto com um estatuto reconhecido.

O reconhecimento da qualidade dos seus smartphones e as exigências de um mercado cada vez mais competitivo têm obrigado a OnePlus a evoluir. Hoje em dia, o seu topo de gama OnePlus 8 Pro tem um preço (em Portugal) a começar nos 919 euros, próximo da marca dos 1000 euros e já bem distante dos preços moderados que tantos fãs cativou.

Esta evolução tem-se notado também na oferta de um novo gama-média, o OnePlus Nord, que vem competir agora numa categoria de preço bem inferior (preço em Portugal a começar nos 419 euros), tendo a sua agressiva estratégia de marketing deixado claro que esta gama significaria um novo começo para a OnePlus.

Aliás, nas várias partes do filme que acompanhou o desenvolvimento deste dispositivo, ficou claro que este seria um projeto liderado por Carl Pei, com o objetivo de regressar às origens da empresa, ao oferecer uma experiência de topo, com um preço apetecível.

A verdade é que esta proposta de “voltar às origens” parece não estar em sintonia com os movimentos que a OnePlus estará a tomar. O Nord não será um exemplar único na gama da OnePlus, com novas versões a chegar brevemente ao mercado norte-americano e, possivelmente, uma versão ainda mais acessível, com características de gama de entrada, para atacar outras gamas de preço.

Assim, coloca-se a questão: poderá esta saída da Carl Pei estar também relacionada com a mudança de filosofia e estratégia da OnePlus?

Esta pergunta poderá nunca vir ter uma resposta concreta, mas não deixa de ser curioso o momento em que Pei abandona a empresa: a OnePlus está em claro crescimento e a aproximar-se cada vez mais do clássico modelo de fabricante tecnológica que vemos no mercado atual, afastando-se dos ideais que atraíram tantos entusiastas.

O copo meio-cheio poderá justificar a decisão com um sentimento de dever cumprido e a necessidade de passar a pasta a alguém que venha a acrescentar o que é preciso para a OnePlus se tornar finalmente numa líder de vendas. Por outro lado, pode-se questionar se a ideia que cada fundador tem para o futuro da empresa será divergente, levando Carl Pei a optar por abandonar o projeto.

Nada disto pode ser confirmado, pelo menos por enquanto. Para além dos muitos agradecimentos à empresa, aos fãs, à equipa e a Pete Lau, Carl Pei não se pronunciou sobre o seu futuro nem sobre as razões que o levaram a abandonar o cargo, pelo que tudo o que aqui é dito será meramente especulativo.

Podemos ainda assim concluir que Carl Pei marcou uma era na OnePlus. A empresa como a conhecemos hoje tem entranhada a sua visão, ainda que a sua adaptação ao mercado possa fazer parecer o contrário. O futuro afigura-se risonho à empresa, com um passado que certamente não apagará o que Pei trouxe ao mercado mobile, mas que certamente assumirá cada vez mais uma nova posição, distante dos seus pilares fundadores.

“O mundo não precisava de mais uma marca de smartphones em 2013”, mas Carl Pei e Pete Lau levaram avante a sua ideia e vão inspirar gerações de empreendedores por todo o mundo. A atuação do duo chegou ao fim, assumindo agora Pete Lau o palco, e a OnePlus, por seu turno, continuará a traçar o seu caminho, prometendo continuar a ser um projeto com uma evolução interessantíssima a acompanhar nos próximos anos.

Eduardo Silva

Eduardo Silva

Jurista, Advogado e Tech Blogger, com gosto infinito por tecnologia e automobilismo. Comummente encontrado também em festivais de música na zona Norte de Portugal.

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