O que aconteceu à divisão mobile da LG?

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Ao longo dos últimos anos, a LG tem vindo a perder terreno no mercado dos smartphones e, em particular, em Portugal. Atualmente é díficil ver modelos da marca em exposição nas principais lojas, a menos que se tratem de modelos gama de entrada, o que reflete o desinteresse por parte do público.

Recuando cerca de cinco anos e meio no tempo, tivemos o LG G3 a rivalizar taco a taco com o Samsung Galaxy S5 no mercado de gama alta. A comparação com a Samsung estará patente ao longo de todo o artigo pois, queira-se ou não, é a empresa que se tem mantido mais consistente no que respeita a smartphones Android. Voltando a 2014, com um design diferenciador, ecrã 2K, câmaras de respeito e um preço um pouco abaixo da concorrência, não era raro ver-se utilizadores a optar pelo topo de gama da LG em detrimento de um Galaxy S5, que apresentava uma qualidade de construção muito diferente do que a Samsung oferece hoje em dia.

LG G3 VS Galaxy S5

Um ano depois, a Samsung lança o seu primeiro flagship com uma qualidade de construção de respeito e sai impune ao fracasso da Qualcomm que foi o Snapdragon 810, uma vez que a gigante coreana já produzia os seus próprios chips. Como resposta, a LG apresenta o G4, com um chip ligeiramente inferior da Qualcomm (Snapdragon 808), mas que não estava assombrado pelos problemas de sobreaquecimento do 810. De resto, dando continuidade à aposta em boas câmaras e, novamente, com um preço inferior, ainda tinhamos um equipamento capaz de “roubar” uma considerável fatia de mercado à Samsung.

Galaxy S6 VS LG G4

A partir daí, o descalabro aconteceu. Ao passo que a Samsung, em 2016, soube evoluir e apresentar uma gama de equipamentos por muitos apelidada de “quase perfeita” com os Galaxy S7 e S7 edge, mantendo a sua identidade e todos os aspetos bem conseguidos no antecessor, melhorando apenas o que era necessário (atualização de especificações, software, autonomia e resistência contra líquidos), a LG decidiu remar contra a maré e apostou numa ideologia modular. A coragem da LG foi notável e, para que grandes novidades tecnológicas aconteçam, é necessário este tipo de ousadia por parte das marcas. No entanto, já dizia o provérbio: “mais vale um covarde vivo do que um herói morto”.

LG G5 VS Galaxy S7 Edge

Infelizmente, foi isso que aconteceu. A ideia de oferecer um smartphone bem construído sem comprometer uma bateria removível não deixa de ser interessante, mas a LG ficou para trás em aspetos mais importantes, seja nas câmeras (embora tenha marcado pontos com a sua câmara ultrawide), robustez e funcionalidades como carregamento por indução.

O smartphone por si só não era mau, mas o preço pedido pelo mesmo já se encontrava demasiado próximo do Galaxy S7 e o lançamento do Huawei P9 só veio piorar a situação.

De 2017 em diante, o que se tem vindo a assistir na gama G são smartphones que não se destacam da concorrência e quase sempre se encontram um ano atrás da mesma, cobrando preços elevadíssimos no seu lançamento, que descem a pique meses depois. Ora smartphones com processador do ano anterior, ora outros com aproveitamento de ecrã fora de contexto, ora ausência de features importantes para acompanhar os seus rivais, ora mesmo ausência de identidade.

LG G8 ThinQ – lançado em abril de 2019

Para quem se está a questionar sobre a linha V ou sobre modelos mais “especiais” da linha G, como por exemplo o LG G8X ThinQ, é verdade que a LG acertou em alguns desses modelos. Contudo, tratam-se de smartphones de nicho ou que são lançados no final do ano, quando empresas como a Samsung, Huawei e até mesmo a Apple já deram resposta aos “desejos” dos consumidores.

Dito isto, lamento estarmos a perder esta grande concorrente na indústria dos smartphones, pois a existência de concorrência num mercado deste tipo (e não só) benefícia os consumidores. Mais preocupante ainda é o estado atual da Huawei, cujos efeitos das proibições comercais resultantes da “guerra” com os Estados Unidos já se fazem sentir.

Os fabricantes de smartphones Android com expressão no mercado nacional são cada vez menores em número. Se não fosse a entrada da Xiaomi e da Realme para o mercado nacional – que ainda estão longe da Samsung em valor de vendas, mas que vão conquistando o seu lugar – estaríamos na iminência de ver o mercado Android monopolizado pela Samsung e do lado oposto pela Apple com o iOS.

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