O meu smartphone Android de 2016 recebeu o Android 11

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Um dos calcanhares de Aquiles para muitos equipamentos Android, é a falta das grandes atualizações de sistema, mas e se lhe disser que o meu smartphone de 2016 teve direito ao Android 11?

Embora as fabricantes se esforcem em dar suporte às novas versões do Android, em particular nos modelos topo de gama, a verdade é que só oferecem atualizações de sistema durante 2 anos na melhor das hipóteses. Em casos muito raros, poderá chegar até 3 anos. Por outro lado, outros equipamentos, saem de fábrica e “morrem” sem nunca receberem uma nova versão do Android. Infelizmente eu fui um dos “felizardos” que adquiri um equipamento Android em 2016 e nunca tive qualquer atualização de sistema nem patch de segurança oficial por parte da fabricante.

Talvez se esteja a perguntar como é possível um smartphone de 2016 ter recebido a mais recente versão do sistema operativo da Google, a saber, o Android 11. Eventualmente, o leitor estará a pensar nas ROMs costumizadas ou personalizadas que por aí proliferam na comunidade do XDA Developers, GitHub, entre outros projetos dedicados à criação de ROMs personalizadas. E pensou bem, porque é precisamente uma ROM costumizada baseada no Android 11 que o meu equipamento recebeu.

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Mas a questão propriamente dita, não é a existência de ROMs personalizadas. Até porque o leitor mais atento ao mundo tecnológico sabe da existência de tais, já desde os primórdios do universo Android. A questão tem mais a ver com o equipamento em si que recebeu uma atenção muito particular por parte dos desenvolvedores, o que fez com que o equipamento em questão ainda tenha suporte à mais recente versão do Android. A outra vertente, é esta solução ser uma alternativa fiável e eficaz para equipamentos mais antigos receberem uma versão recente do sistema operativo da Google.

O smartphone de 2016 que teve direito ao Android 11

Antes de mais nada, permitam-me falar um pouco do equipamento em questão, e da sua fabricante. O modelo em questão, trata-se de um LeEco Le Max 2 que foi lançado ao público em maio de 2016. É um equipamento que vem equipado com o CPU quad-core Qualcomm Snapdragon 820 e uma GPU Adreno 530. Conta com 128 GB de armazenamento interno e 6 GB de memória RAM. Além disso, tem um ecrã IPS LCD de 5,7″ com uma resolução de 1440 x 2560 com uma densidade de 515 ppi. Grava em 4K a 30 fps, tem o sensor de impressões digitais embutido na traseira, porta de carregamento USB-C, não tem entrada de Jack 3,5 mm mas tem carregamento rápido a 18 W (Quick Charge 2.0). A sua construção é totalmente em alumínio.

Uma autêntica “bomba” na altura em que foi lançado, não só nas especificações técnicas mas também no desempenho, obtendo até os melhores resultados nos testes de benchmark, superando modelos topos de gama da altura como o iPhone 6S e o Samsung Galaxy S7 Edge, conforme comprova esta página do AnTuTu. Foi um modelo muito popular na Ásia, principalmente na China e na Índia, onde hoje ainda muitos utilizadores possuem este modelo como o seu principal smartphone.

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LeEco, a fabricante

A fabricante LeEco, é uma empresa chinesa que foi fundada em 2011 e que expandiu os seus negócios para os EUA, Índia e Rússia. Dispõe no seu portfólio produtos eletrónicos, desde smartphones, smart TVs, bicicletas elétricas, carros elétricos autónomos, eCommerce, armazenamento na nuvem e produção/distribuição de filmes/música para streaming. Em 2017 e devido a problemas financeiros, a LeEco teve que tomar decisões de forma a contornar a crise financeira. No final de 2018 a administração da empresa anunciou oficialmente que não estava à venda e está à procura de investidores para resolver as suas finanças. Neste momento não há qualquer informação acerca do futuro da empresa.

A LeEco ficou conhecida mundialmente por ter colocado equipamentos com specs de topo a um preço muito abaixo da concorrência, à semelhança do que fez a Xiaomi e a OnePlus inicialmente. Também o filme Transformers: o Último Cavaleiro, ajudou a marca a ser mais conhecida no ocidente devido à aparição dos seus smarphones e do seu veículo elétrico autónomo no filme.

Mas embora a LeEco tivesse tudo para vingar no mercado do entretenimento e de aparelhos eletrónicos, a verdade é que isso não aconteceu. Atualmente o seu principal negócio é o streaming, uma espécie de “Netflix chinesa”. Veremos o que o futuro dirá.

Até 5 anos de atualizações Android…

Como já supracitado, é de admirar o facto deste equipamento em particular, receber a atenção da comunidade AOSP (Android Open Source Project). Tendo em conta que a LeEco já não fabrica nenhum equipamento e que este modelo nunca recebeu nenhuma atualização de sistema, é louvável o trabalho que a comunidade de desenvolvedores têm em disponibilizar uma Rom estável e funcional para este terminal já com algum tempo.

A nível de desempenho, era espectável que a mais recente versão do Android 11 tornasse o smartphone mais lento e com alguns engasgos. Para minha surpresa tal não aconteceu, e isso pôde ser comprovado pelo staff do LifePatch que ficou admirado com a fluidez e rapidez do equipamento. Tenho que admitir que a Rom LineageOS baseada no Android 10 que usei até agora, não era tão fluída como a que estou a usar agora, a crDroid.

Obviamente que não tem o mesmo desempenho de 2016, mas para um equipamento que vinha com o Android 6 (Marshmallow) e recebeu 5 grandes atualizações de sistema, a saber, o Android 7 (Nougat), 8 (Oreo), 9 (Pie), 10 (Q) e agora o 11, (Roms costumizadas) ainda assim consegue ser fluído, rápido e sem qualquer imput lag. Há coisas que ainda precisam de algumas correções, nomeadamente alguns bugs no Android Auto e o suporte para a última versão da app Google Câmara. Contudo alguns destes problemas são transversais a qualquer equipamento com Android 11 oficial da fabricante, ou não.

Será que vale a pena ter um iPhone por causa das atualizações?

É uma questão que não é assim tão simples de responder. Mas ainda assim vou responder, sim e não…

Não:

  • Se for um utilizador avançado e que tem conhecimento técnico suficiente para se aventurar a modificar o seu equipamento para instalar Roms baseadas nas versões mais recentes do Android. Dependendo do modelo do dispositivo Android que possui, é possível encontrar Roms baseadas na última versão do Android por vários anos e assim ter acesso a um sistema mais recente e seguro.
  • Se tem paciência para efetuar o procedimento manualmente através do computador.
  • Se o software que utiliza no Android é transversal ao que está disponível no iOS.
  • Se não está dependente do ecossistema Apple.
  • Se não tem ou não quer gastar muito dinheiro num smartphone.

Sim:

  • Se for um utilizador que não tem conhecimento técnico suficiente para modificar o seu equipamento para instalar Roms baseadas nas versões mais recentes do Android.
  • Se necessita de atualizações de sistema por vários anos a uma distância de 3 toques.
  • Se o software que utiliza no iPhone é exclusivo e não é transversal à plataforma Android.
  • Se está dependente do ecossistema Apple.
  • Se a questão financeira não for problema para si.

Resumidamente, estes serão os pontos que poderão levar, ou não, um utilizador a optar pelo iPhone única e exclusivamente pelas atualizações de sistema.

LeEco Le Max 2 com Android 12?

A probabilidade de isso acontecer é significativa. Até porque existem alguns (poucos) modelos ainda mais antigos que este Le Max 2, que também receberam o Android 11 baseado no AOSP. Nas comunidades como a LineageOS, crDroid, RevengeOS, PixelExperience, XDA Developers, entre outras, é possível encontrar uma lista de modelos que se habilitam a receber a versão mais recente do Android. O seu poderá estar nessa lista.

E você, tem algum smartphone Android de 2016 ou posterior com uma Rom personalizada baseada no Android 11? Tem conhecimento suficiente para efetuar esse procedimento? Ou tem o Android 11 oficial da fabricante instalado no seu terminal? Deixe a sua opinião nos comentários e continue a acompanhar toda a atualidade tecnológica mais relevante aqui no Life Patch e através das nossas redes sociais, FacebookTwitter e Instagram.

Samuel Pinto

Samuel Pinto

Nascido na belíssima cidade berço, tem como preocupação a relação entre o Homem e a tecnologia. “O problema não é se as máquinas pensam, mas se os homens o fazem” - Skinner

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