Huawei P40 Pro: A recompensa pela aposta arriscada [Análise]

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O Huawei P40 Pro é um smartphone com muito que se lhe diga. Chegando ao mercado como o topo de gama da Huawei para 2020, em conjunto com o P40 e o P40 Pro+, este dispositivo traz consigo um design sedutor e capacidades fotográficas que nos deixam impressionados.

No entanto, este terminal pode não ser uma opção viável para qualquer utilizador, havendo várias questões a colocar antes de optar pela sua compra. Assim, após duas semanas com um exemplar para teste, esta é a análise completa do Life Patch ao Huawei P40 Pro.

Huawei P40 Pro

Design e Construção do Huawei P40 Pro

O histórico da Huawei neste departamento revela uma lista recheada de belos dispositivos e o P40 Pro não desilude. Aliás, este é um dos mais bem conseguidos designs revelados pela marca até hoje e, mesmo sem fugir aos padrões do mercado, consegue distinguir-se da concorrência.

Muito se deve à parte de trás do dispositivo. A unidade que nos chegou às mãos trouxe consigo uma cor espelhada em preto brilhante, comum entre quase todos os terminais de topo atualmente. No entanto, o P40 Pro, bem como os seus antecessores, mantém o seu desenho na parte traseira com pose na horizontal, sendo que até o próprio lettering Huawei se encontra nessa direção.

Huawei P40 Pro

Tal deve-se ao foco na fotografia, que falaremos mais adiante, mas que é um destaque da marca para este terminal. Aliás, o módulo para as câmaras é francamente notório, criando um relevo considerável na parte de trás, mas não tão incomodativo como se possa pensar, ao manter-se relativamente equilibrado quando pousado sobre uma superfície plana.

A construção em vidro é outro dos destaques neste departamento. Segurando o P40 Pro, o utilizador sabe imediatamente que tem um produto premium na mão, sendo que o smartphone nada deve à restante concorrência no capitulo da beleza e solidez.

Utilização com uma mão não é um desafio tão grande quanto se pode imaginar, sendo relativamente estreito comparativamente com a sua altura. As margens curvas não foram um impedimento, tendo a Huawei feito um bom trabalho na negação de toques involuntários no ecrã.

Por outro lado, nota-se ainda alguma facilidade em tapar a única saída de som na parte inferior do dispositivo, que de si apresenta bom som, mas cuja falta de um altifalante secundário no topo é um ponto negativo face aos restantes smartphones desta gama.

Huawei P40 Pro

Experiência de utilização

O Huawei P40 é um smartphone muito capaz e tal nota-se no seu uso diário. Nunca durante as duas semanas de uso demonstrou qualquer delay ou “soluço” na sua utilização, mesmo em situações que exigiram o máximo de várias componentes do terminal.

Para tal, muito contribuiu a recheada lista de especificações, que deixamos abaixo (dados da unidade testada):

  • Ecrã: 6.57″ OLED, 1200x2640p (441ppi), 90Hz;
  • Processador: Kirin 990 5G (7nm)
  • RAM: 8GB
  • Armazenamento: 256GB
  • Bateria: 4200mAh
  • Carregamento: 40W (por cabo); 27W sem fios e invertido
  • Bluetooth 5.1
  • Certificação IP68

Com esta lista, não se espera pouco de um smartphone. E de facto, o P40 Pro é um dispositivo muito agradável de se usar. Um grande contributo para tal é a tela OLED com taxa de atualização de 90Hz que oferece uma suavidade extra muito bem-vinda à experiência de utilização.

Como é claro, com o Kirin 990 e 8GB de RAM à disposição, nenhum utilizador sentirá que o P40 Pro fica aquém do esperado. O próprio desempenho em gaming em títulos exigentes como o Asphalt 9 foi muito bom, não havendo uma considerável diferença para dispositivos equipados com Snapdragon 865 ou o A13 Bionic.

E para os fãs de uma boa bateria, este Huawei será certamente uma excelente escolha. Em utilização leve e com carga máxima, o smartphone consegue até dois dias e meio sem carregamentos, atingindo ainda 6:27 horas de ecrã ligado.

Por outro lado, com utilização intensiva, onde maioritariamente foi utilizado para jogos, vídeos, música e GPS, totalizando um dia de uso onde foi possível obter apenas 4:22 horas de ecrã ligado. Uma utilização realista do dia-a-dia conseguirá facilmente 7 ou 8 horas continuas de ecrã ligado, podendo haver variações nos resultados de utilizador para utilizador.

Para este desempenho energético, em muito contribui a grande bateria de 4200mAh, que se alia à tecnologia do processador e ao trabalho da EMUI 10 para gerir os consumos do dispositivo.

Como complemento à boa autonomia, temos um carregamento rápido por cabo bastante satisfatório de 40W, bem como carregamento sem fios e carregamento invertido 27W, que proporciona a possibilidade de partilhar energia com outros terminais.

Se por um lado é bom ter uma EMUI interventiva no que toca à bateria, por outro não podemos deixar de fazer reparos à experiência de utilização proporcionada pela mesma, havendo ainda alguns pormenores que podiam ser melhorados. O terminal tenta incutir ao máximo as aplicações fornecidas pela empresa (muito por força de motivos que falaremos adiante), com várias sugestões constantes sendo até, por vezes, intrusivas.

Este não será o smartphone mais indicado para puristas Android, havendo uma clara tentativa de reunir o melhor do sistema operativo da Google e o melhor do iOS. Isto resulta em algumas funcionalidades em falta, como o duplo-clique no botão de bloqueio para abrir a câmara ou o desbloqueio facial que não nos leva diretamente ao ambiente de trabalho.

Huawei P40 Pro

Ainda assim, o desbloqueio facial é um ponto forte do Huawei P40 Pro, aproveitando muito bem os sensores fotográficos e de infravermelhos frontais para um desbloqueio muito seguro, eficaz e que funciona mesmo em situações de luminosidade muito reduzida.

Esta opção acaba por ofuscar o leitor biométrico presente no próprio ecrã, que revelou um bom desempenho, apesar de ainda não atingir os níveis de rapidez dos leitores de impressões digitais com recorte dedicado no corpo do smartphone.

Um ponto incontornável na utilização deste terminal é a falta dos serviços Google e da Play Store. Os Serviços Huawei e a App Gallery estão a dar passos na direção certa, com várias aplicações a chegarem aos poucos à loja de aplicações. A aposta da Huawei em tornar-se autónoma face aos Serviços Google é uma aposta a longo-prazo, que deverá dar frutos no futuro, estando ainda numa fase transitória com vários milhões de euros já investidos.

Huawei P40 Pro

No entanto, tal transição está longe do fim, sendo difícil satisfazer todas as necessidades do utilizador, que passará certamente por uma fase de adaptação a este dispositivo. Isto não quer dizer que, com alguma flexibilidade, o smartphone não seja utilizável, havendo até soluções como a aplicação PhoneClone, que permite clonar apps de outros dispositivos Android para o seu Huawei, facilitando o processo.

Aliás, aos poucos vai-se notando um crescente número de soluções, prevendo-se que, mais tarde ou mais cedo, poderão mesmo ser irrelevantes quando a própria Huawei aperfeiçoar os seus serviços mobile. Fazemos nossas as palavras do Tiago Alves, no seu parecer sobre a utilização de um dispositivo Huawei sem Serviços Google Mobile.

Para os mais impacientes, há ainda a opção de obter os Serviços Google Mobile e a Play Store por meios externos, à responsabilidade do utilizador, pelo que deixamos aqui o tutorial completo.

As capacidades fotográficas do Huawei P40 Pro

Como já mencionado acima, o Huawei P40 Pro é um terminal bastante focado na fotografia, não fosse o mais recente resultado da colaboração entre a Huawei e a Leica.

Neste departamento, o terminal prima pela excelência, oferecendo capacidades para os iniciados em fotografia e também para os mais experientes fotógrafos, disponibilizando um modo profissional.

A unidade que nos foi concedida para teste revelou muita qualidade e diversidade na fotografia, onde a câmara principal de 50MP, com abertura f/1.9 e estabilização ótica de imagem, se fez acompanhar pela câmara telephoto (periscópio) de 12 MP e pela grande-angular de 40MP, havendo ainda lugar para um sensor ToF.

A grande-angular é um instrumento sempre útil nos smartphones e apreciado pela versatilidade que oferece . É o caso verificado nas fotos abaixo, onde permitiu serem captados dois monumentos na sua largura completa.

No entanto, há que destacar também as capacidades de ampliação do P40 Pro, com zoom ótico até 5x e que permite captar imagens até 10x com muito boa qualidade. Podemos ampliar até aos 50x, mas a qualidade, como esperado, perde-se por completo, servindo apenas em casos muito específicos.

O modo noite é surpreendente e contribui para o bom desempenho das câmaras em situações de baixa luminosidade. Há uma boa diferença entre as imagens abaixo, onde se pode ver, à direita, as capacidades do P40 Pro num cenário noturno.

De reparar, no entanto, que o processamento de imagem pode ser, por vezes, demasiado intrusivo. Quando não é utilizado o modo noturno, o próprio dispositivo faz, por vezes, um aproveitamento da luz demasiado artificial, obtendo resultados menos satisfatórios.

Conclusões

O Huawei P40 Pro é, sem dúvida, um dos melhores terminais disponíveis no mercado. O seu toque premium e capacidades fotográficas não deixam nada a desejar. Se o leitor é fã da Huawei e das capacidades fotográficas que os seus dispositivos topo de gama possuem, não há opção mais fácil de aconselhar do que esta.

No entanto, para o público em geral, há algumas considerações a tomar. O comprador deste smartphone tem de ter em mente a falta dos Serviços Google Mobile e que este ainda não é um tema 100% resolvido nos novos terminais Huawei, algo que, com um preço a começar nos 1.049,99€ em Portugal, torna a compra possivelmente arriscada.

Por outro lado, escolher este terminal é apostar na marca e acreditar que, eventualmente, a Huawei será capaz de oferecer uma experiência de utilização completa através dos Huawei Mobile Services e da App Gallery, demonstrando o P40 Pro ser capaz de recompensar o utilizador pela sua aposta de risco através das suas excelentes capacidades como smartphone de topo.

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Eduardo Silva

Eduardo Silva

Jurista muito interessado em tecnologia que gosta de escrever sobre a atualidade e partilhar a sua opinião. Comummente encontrado também em festivais de música na zona Norte de Portugal.

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