A Deezer disponibilizou comercialmente a sua tecnologia de deteção de música criada por inteligência artificial, permitindo que outras empresas passem a identificar, etiquetar ou até remover este tipo de faixas dos seus sistemas. A ferramenta nasceu como resposta ao crescimento massivo de músicas geradas por IA e à necessidade de proteger artistas humanos num mercado cada vez mais automatizado.
O sistema funciona através da análise de padrões sonoros, estrutura musical e metadados, conseguindo distinguir produções humanas de conteúdos criados por algoritmos com uma precisão anunciada muito elevada. Só em 2025, a tecnologia já terá identificado milhões de músicas artificiais, mostrando como a produção musical está a mudar rapidamente.
Desta forma, plataformas como Spotify ou Apple Music poderão implementar a ferramenta nos seus sistemas.
Deezer pretende evitar fraudes com músicas feitas por IA
Hoje, a música gerada por IA representa uma fatia significativa dos novos uploads em plataformas digitais. Este crescimento levanta preocupações reais, sobretudo relacionadas com fraude em sistemas de royalties, onde músicas automáticas podem ser usadas para gerar reproduções artificiais e desviar receitas destinadas a criadores reais.
Ao abrir esta tecnologia ao mercado, a empresa posiciona-se não apenas como plataforma de streaming, mas também como fornecedora de infraestrutura tecnológica para toda a indústria musical. A ideia passa por criar um ambiente mais transparente, onde os ouvintes saibam o que estão a ouvir e onde os artistas humanos mantenham espaço competitivo.
O debate da IA vs criação artística continua
Segundo a The Verge, esta decisão surge num momento em que toda a indústria enfrenta pressão para definir regras claras sobre o uso de inteligência artificial na criação artística. Algumas empresas defendem rotulagem obrigatória; outras consideram limitar ou bloquear este tipo de conteúdo.
No fundo, esta evolução mostra um equilíbrio delicado: a inteligência artificial abre portas criativas e democratiza a produção musical, mas também desafia conceitos tradicionais de autoria, valor artístico e sustentabilidade económica. O futuro da música pode muito bem depender da forma como estas duas forças — humano e máquina — conseguem coexistir.