“Como é que o bicho mexe?” é uma ode à Cultura e ao improviso

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bicho mexe Cultura Nogueira
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Em tempo de Pandemia, é seguro afirmar que o mundo abrandou, em todos os aspetos, contudo se temos de apontar um que seja fulcral para a condição humana, é a Cultura. Somos bichos sociais e devemos parte dessa natureza ao desenvolvimento cultural que fomos capazes de impulsionar ao longo da nossa evolução enquanto seres sapientes, pois o aspecto que talvez melhor nos define e distingue é a nossa Cultura e daí nasce a necessidade de não a deixar perecer. É aqui que entram os artistas, os criadores de conteúdo e até mesmo os artesãos, que mesmo vendo a sua arte afetada pelo surto do Covid-19, com o cancelamento de festivais, espetáculos, salas de cinema, lojas, armazéns, fábricas, etc, não deixaram de a praticar e partilhar, a partir da segurança das suas casas.

Muitos brincam com o facto de todos termos virado padeiros – a chamada Pãodemia – ou de agora sermos especialistas em bricolage, devido às receitas e dicas partilhadas nas redes sociais, mas uma coisa que não deixamos de ser é espetadores e devemos isso aos artistas que por esses diretos fora nos têm presenteado com conversas, concertos e encenações que, apesar de não substituírem a experiência de um espetáculo ao vivo, nos aquecem um pouco mais a alma e permitem manter a nossa Cultura viva. Porém, se há um destaque que temos de dar é talvez aquele que mais entretém as noites de cerca de 65 mil portugueses: o “Como é que o bicho mexe?”

O que começou por ser um direto onde Bruno Nogueira pretendia partilhar o seu dia a dia com alguns amigos do mundo do espetáculo, rapidamente se transformou num palco onde muito talento se tornou evidente. Começando sempre com um resumo do seu dia, Nogueira procede em conversar sobre temas aleatórios com convidados como Nuno Markl, Salvador Martinha, Nuno Lopes, Inês Aires Pereira, Albano Jerónimo, João Manzarra, Beatriz Gosta, Jessica Athayde, João Quadros, Ljubomir Stanisic, Nélson Évora, entre muitos outros.

bicho mexe
Instagram @nunomarkl

Em jeito de brincadeira, o criador de “Odisseia” afirma que os espetadores estão a pagar por aquele espetáculo e por isso merecem a melhor atitude possível por parte dos convidados, quer seja por intermédio de simples conversas, quer seja por performances elaboradas e preparadas por estes. Dezenas de milhares de portugueses escolheram adiar a sua hora de deitar e graças a isso puderam presenciar diversos karaokes excêntricos de Nuno Markl, a arrepiante interpretação de “já passou” de Frozen, pela Inês Aires Pereira, a disputa pelo hipotético “pipi” de Bruno, entre Nélson Évora e Albano Jerónimo, o sentido Manifesto Masculinista deste último, as meditações guiadas de Manzarra a Nogueira e o concerto de Maria João Pires para nomear apenas alguns dos momentos mais épicos da novela “Como é que o bicho mexe?”

Temos apenas de agradecer a Nogueira e companhia pelas noites bem passadas, onde por cerca de duas horas nos esquecemos do medo lá de fora em troca de uma boa dose de Cultura repleta de humor, que termina sempre com uma balada graciosamente tocada pelo pianista Filipe Melo, mais conhecido por Pipão pelos resistentes. Não se esqueça, até sabermos como é o que o bicho mexe, vá para dentro e assista a esta pequena grande maravilha que acontece às 23h no Instagram.

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