Mesmo empresas com o peso e a influência da Apple não estão imunes às mudanças profundas que atravessam a indústria tecnológica. Nos bastidores do mercado de componentes, a pressão está a aumentar e desta vez vem do lado dos fornecedores de memória.
Nos últimos meses, os grandes fabricantes de DRAM, com destaque para a Samsung e a SK Hynix, começaram a rever em alta os preços da memória LPDDR, um componente essencial nos smartphones modernos, incluindo o iPhone. Os aumentos pedidos são significativos e representam uma rutura com o equilíbrio que durante anos favoreceu marcas com grande poder de compra, como a Apple.
Inteligência Artificial é a causa principal dos aumentos de preço
Tradicionalmente, a Apple conseguia negociar preços mais baixos graças ao volume das suas encomendas e a contratos de longo prazo. Essa vantagem permitia-lhe manter margens elevadas ou absorver custos sem impacto direto no preço final dos produtos. No entanto, o contexto atual é diferente. A procura global por memória disparou, sobretudo devido à expansão dos centros de dados e das aplicações de inteligência artificial, que consomem componentes mais avançados e lucrativos para os fabricantes.
Perante este cenário, os produtores de memória estão a redirecionar capacidade para os segmentos mais rentáveis, reduzindo a disponibilidade para o mercado móvel. O resultado é simples: menos oferta, mais pressão e preços mais altos. Mesmo a Apple, conhecida pela sua capacidade de negociação, vê-se agora forçada a aceitar condições menos favoráveis.
Como pode afetar os consumidores?
Este aumento nos custos coloca a empresa perante escolhas difíceis. Ou absorve parte do impacto, reduzindo margens de lucro, ou ajusta os preços dos seus dispositivos no futuro. Para os consumidores, isto pode traduzir-se em iPhones mais caros ou em decisões estratégicas, como limitar upgrades de hardware em modelos base.
Analistas alertam ainda que esta situação pode não ser temporária. Com contratos a serem renegociados ao longo do ano, novos aumentos podem surgir, prolongando a pressão sobre toda a cadeia tecnológica. No fundo, é mais um sinal de que, num mundo cada vez mais dependente de semicondutores, até os gigantes têm de se adaptar.