“23 Hours to Kill” é mais de Jerry Seinfeld e isso é ótimo

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23 hours to kill jerry seinfeld
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Jerry Seinfeld será talvez um dos humoristas, a nível mundial, que mais divide os adeptos do humor. Por um lado defende-se que conquista audiências com um discurso eloquente suportado por uma escrita com qualidade inquestionável, por outro alega-se que o estilo ao qual Seinfeld já mais que nos habituou tem um quê de ecletismo e não está ao alcance de qualquer um. Bem, se há coisa 23 Hours to Kill é que ambas as visões são justificáveis e que acima de tudo coexistem de forma harmoniosa – pelo menos durante a duração deste monólogo.

O que Seinfeld aqui alcança é uma reflexão simples sobre a condição humana e como ela é transversal a todos nós, sem sequer se dar ao trabalho de a desconcertar ou justificar. Passando do domínio geral, explícito nas vivências em sociedade, para o particular, em jeito de confissão da sua vida pessoal, Seinfeld vai fazendo o publico pensar e rir sobre aspectos que são comuns a toda a gente, independentemente do seu estatuto social – afinal, nas palavras do próprio a vida dele é tão má como a de qualquer espetador sentado na plateia, mesmo que as dimensões dos problemas sejam substancialmente distintas.

Se o espetador tem um telemóvel, o mais provável é que seja escravo dele. Se exposto a determinadas circunstâncias o mais provável é que ceda perante algumas vontades ou desejos, como ceder ao pecado mortal da Gula perante um buffet. Com 23 Hours to Kill, Seinfeld não julga mais o próximo do que a si mesmo, sendo que o que distingue dos demais é ser ele o comentador que se limita a expôr o óbvio sem receio de aceitar o que resulta desse óbvio.

23 Hour to Kill prova por fim que se há coisa que Seinfeld consegue garantir é qualidade na consistência, pois o registo está longe de ser diferente da sua série homónima – uma obra-prima indispensável para qualquer fã do humor – ou até mesmo do conceito simplista de Comedians in Cars Getting Coffee, onde os temas de conversa não passam dos sucessivos e consequentes acontecimentos da vida mundana de cada qual, dos quais somos reféns e com os quais, tal como o próprio, temos de aprender a lidar.

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